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Autores do Blog Ciência em Ação

Por: Luis Carlos da Silva Soares
Postado dia 22/06/2022

Engenheiro Florestal, pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG). Estudante de Mestrado em Genética e Melhoramento de Plantas pela Universidade Federal de Lavras (UFLA).
Áreas de interesses: Melhoramento de plantas; Meio Ambiente; Manejo.















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O efeito estufa é um fenômeno natural que resulta no aumento da temperatura média do planeta. Durante a história da terra vários ciclos de aquecimento e resfriamento ocorreram o que ajudou a consolidar a biosfera que temos hoje. Entretanto, embora seja um processo natural, a ação antrópica tem acelerado o aquecimento do planeta em um intervalo de tempo relativamente curto, acarretando problemas de instabilidade climática.

O aquecimento global provoca modificações do balanço energético na atmosfera. O derretimento das calotas polares e o aquecimento dos oceanos, por exemplo, impactam as correntes marítimas o que pode modificar o deslocamento de umidade para os continentes. O resultado é instabilidade climática em vários locais do planeta com a ocorrência de secas, geadas e chuvas abundantes em regiões onde não havia ocorrências.

A aceleração do aquecimento global é uma das principais ameaças à conservação da biodiversidade. A mudança dos regimes de chuva e da temperatura nos ecossistemas podem provocar alterações estruturais que quase sempre são traduzidas na perda de espécies e de potencial genético, o que pode impactar na produção de alimentos para os seres humanos e animais domésticos.

O desenvolvimento da agricultura é sustentado por meio do avanço de técnicas culturais e principalmente através do melhoramento genético. Para a obtenção de cultivares é preciso que haja divergência genética dentro da população. Essa divergência genética é trabalhada de tal modo que se congregue o máximo de genes de interesse dentro de um indivíduo, o que será traduzido na sua superioridade quanto às características almejados. Por exemplo, aumento da produtividade do cultivar.

De maneira recorrente têm-se a necessidade de buscar uma nova característica para inserir dentro dos programas de melhoramento. Para tanto, é necessário recorrer a bancos de germoplasmas ou coletar materiais nos centros de origem da espécie sob estudo. Contudo, a antropização do ambiente e o aquecimento global resultante tem-se configurado como um potencial risco para o desaparecimento desses centros de origens.
O aumento da temperatura do globo é uma das principais ameaças à integridade e manutenção dos centros de diversidades genéticos das espécies. A modificação rápida do ambiente provoca perdas na variabilidade genética das espécies limitando seu potencial genético de responder às modificações ambientais. Essa limitação ou seu total desaparecimento implica em perdas de genes potenciais para o desenvolvimento de novos cultivares, com impactos negativos sobre as empresas de melhoramento e dos consumidores finais.

Muito dos genes obtidos de amostras coletadas nos centros de origem conferem estabilidade à cultura. Geralmente, procura-se identificar os genes que conferem resistência à seca e ao frio. Essa necessidade de se obter tais genes é devido o reconhecimento das entidades agrícolas sobre os efeitos negativos do aquecimento global sobre a produção de alimentos. Alguns estudos mostram, por exemplo, a perda da produtividade de certas cultivares ao longo do tempo. O mesmo material genético, cultivado no mesmo local e nas mesmas condições de solo perderam parte da sua performance produtiva justamente devido às alterações ambientais. Logo, o desaparecimento dos centros de origem irá impactar negativamente a produção de alimentos no mundo. Sem a disponibilidade de base genética a humanidade ficará à mercê somente dos materiais comerciais já existentes.

Além de problemas relacionados à produção de novos cultivares, as mudanças climáticas impactam a produção de alimentos principalmente em aspectos relacionados a pragas, regime hídrico e frio. Elas geram, por exemplo, problemas no abastecimento hídrico necessário para o desenvolvimento das lavouras. Se as necessidades hídricas da lavoura não forem atendidas, a perda na produção é iminente. A mudança no regime de chuvas, portanto, também é uma das maiores ameaças à produção de alimentos. Embora haja a possibilidade de irrigação artificial, tem-se que lembrar que essa é uma operação cara e totalmente dependente da disponibilidade hídrica do sistema. Sendo assim, secas prolongadas podem encarecer a produção, deixando-a inviável ou limitando-a pela indisponibilidade de água no sistema

Problemas com relação a pragas e doenças também tendem a se intensificar com as mudanças climáticas. O aumento da temperatura impacta o metabolismo dos insetos tornando-os mais ativos e aumentando sua taxa de reprodução. Isso é traduzido em maiores danos as lavouras e impactos na quantidade de alimentos produzidos. Algumas modelagens sugerem que o dano à determinadas lavouras podem ultrapassar 10% a 25% para cada grau Celsius de aumento da temperatura média do planeta.

Uma das maiores preocupações é a de garantir a disponibilidade de alimentos para o futuro. Algumas projeções preveem que até 2050 a população humana atingirá mais de 10 bilhões de indivíduos. Se o cenário atual com relação às mudanças climáticas não se reverter, é possível que a falta de alimentos e o aumento de seus preços sejam obstáculos para prover a alimentação as gerações futuras.

Para evitar o colapso alimentar em escala global, é preciso que haja uma cooperação mútua de todos os países. É preciso que todas as nações cooperem propondo e executando medidas que reduzam as taxas de emissão de carbono na atmosfera e incrementem o plantio em áreas desflorestadas para que o ocorra o sequestro do carbono já emitido. Afinal é preciso refletir se o futuro que estamos construindo será justo para as gerações vindouras.

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Mais sobre a autora:

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e-mail: [email protected]
Referências:https://olhardigital.com.br/2021/10/05/ciencia-e-espaco/aquecimento-global-plantas-antigas/
http://pbmc.coppe.ufrj.br/index.php/en/news/357-aquecimento-global-estimula-avanco-de-pragas-agricolas

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