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A Arte rupestre e seus vieses
Por: Giovanna Neiva Luz
Postado dia 12/07/2021
Possui graduação em Arqueologia pela Universidade Federal do Piauí (2019). Tem experiência na área de Arqueologia, com ênfase em Arqueologia da Paisagem e Ambiental. Tem experiência em trabalhos sistemáticos na área de Arqueologia e Paleontologia. Fez levantamentos de sítios arqueológicos na área rupestre e cerâmica. Tem trabalhos elaborados na área de meio ambiente pela Universidade Federal do Piauí.









O presente texto objetiva demonstrar a presença de cenas rupestres representando relações homoafetivas no Parque Nacional Serra da Capivara no Estado do Piauí. No parque são encontrados alguns recortes temáticos recorrentes nas artes rupestres, sendo estes as de cena de caça, coleta, afazeres domésticos, partos, lutas em duplas, conflitos, movimentação, fauna e flora. Além desses, há os da sexualidade humana e, dentro destes, nosso interesse: os relativos às relações sociais e sexuais entre indivíduos pertencentes ao grupo responsável por estas representações. Em pretéritos trabalhos de campo, detectamos essa temática rupestre, com bastante recorrência, sendo necessário a ampliação dos debates e interpretações em torno de tais cenas. Dentre os resultados obtidos destaca-se que os grupos ancestrais ocupantes das terras brasileiras representavam relações sociais e sexuais entre pessoas de mesmo sexo, o que nos dá indícios para afirmação que as relações homoafetivas são parte do universo sexual humano já desde os mais remotos tempos.

Este artigo trouxe aos pesquisadores uma discussão sobre cenas homoafetivas em cinquenta e dois sítios arqueológicos no território da Serra da Capivara. O Parque Nacional referido tem inúmeros trabalhos interdisciplinares e é um local de fontes ricas para a pesquisa. O PNSC – Parque Nacional Serra da Capivara, foi criado com a finalidade de proteger o patrimônio arqueológico, paleontológico e ambiental da região, no intuito de contribuir com o gerenciamento de UC2, na qual foi instituída a FUMDHAM – Fundação Museu do Homem Americano, sob a direção da professora Niède Guidon e pesquisadores brasileiros e franceses, em 1986. A instituição tinha por intuito apoiar as pesquisas científicas na região, contribuir para a preservação e conservação do meio ambiente e apoiar ações de desenvolvimento sustentável e educativas. O parque foi considerado como um Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, em 1991, e Patrimônio Nacional pelo IPHAN, em 1993 (GUIDON, 2014a).

Durante a pesquisa em 2018 foram elaborados excelentes trabalhos de campo com uma equipe, formada por arqueólogos, antropólogos, guia do PARNA e a vontade e disposição de encontrar vestígios que discutem sobre o viés da Arte rupestre e sexualidade. Os resultados foram imensos, conjuntos de pinturas que envolvem cenas de sexo entre pessoas do mesmo sexo, rituais de cenas com sexo entre grupos diferentes aos que eram dos locais pesquisados e muita informação e conhecimento. Os estudos de arte rupestre no Brasil sob este viés ainda são poucos, e não é só uma questão de inovar e sim contextualizar os sítios com novos apontamentos e análises.

É bastante salutar que as interpretações dos conjuntos de pinturas rupestres só são feitas mediante um estudo rígido de campo, uma contextualização exaustiva dos sítios arqueológico e grandes reflexões feitas com os autores dos trabalhos. Após o campo feito no Parque Nacional Serra da Capivara os autores publicaram um artigo com o título Novos apontamentos sobre as representações da sexualidade nos registros rupestres no parque nacional Serra Da Capivara –PI, Brasil , um estudo no qual a intenção dos autores é dar continuidade aos estudos sobre esta produção e futuramente quem sabe publicar um livro com as novas discussões e escritos a respeito deste tema.
Logo em seguida temos algumas imagens publicadas no artigo e capturadas em campo pela equipe que participou destes trabalhos sistemáticos:
Imagem da Bocaina
Figura 1: Toca do Pinga do Boi I. Cena da representação da penetração de, supostamente, um homem com duas mulheres. Parque Nacional Serra da Capivara –PI - Fonte: Acervo dos autores
Imagem Bocaina

Figura 2: Toca da Vereda do Juvenal. Cena da penetração com animais e outras pessoas perto. Parque Nacional Serra da Capivara – PI.

Nesses escritos nos preocupamos em apresentar um aperitivo das cenas rupestres com a temática da sexualidade ou social, do que está à disposição nas rochas do PNSC. Sabemos da existência de muitas outras cenas e temas a serem abordados. Sem esquecer, evidentemente, outros tantos que existem muitas observações que ainda devem ser realizadas junto às marcas registradas nas rochas por nossos parentes ancestrais. Tomamos como certo que nossos ancestrais ao registrarem práticas sexuais e ou sociais variadas, em suas artes, demonstram que lidavam, ao que nos parece, com muita naturalidade, com os seus corpos e também com os seus afetos, por mais diferentes e diversos que fossem esses desejos e ações sexuais. Mais do que tudo que a sexualidade, em todas as suas variantes, não era reprimida ou escondida, ao que nos faz indicar, pelas cenas, afinal as pinturas rupestres estavam ali para todos verem e todos tinham acesso livre.

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Os autores do artigo:
1. Antoniel dos Santos Gomes Filho
2. Felipe de Sousa Soares
3. Gabriel Frechiani de Oliveira
4. Giovanna Neiva Luz
5. Maria Luiza Lima Horta de Almeida Souza
6. Michel Justamand
7. Vanessa Belarmino da Silva
8. Vitor José Rampaneli de Almeida