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Autores do Blog Ciência em Ação

Por: Gabrielle Abreu Nunes
Postado dia 21/05/2022

Bióloga e Mestra em Ciências da Engenharia Ambiental pela USP, na linha de pesquisa em Instrumentos de Política Ambiental. Atualmente, é pesquisadora de doutorado em Ecologia Aplicada na Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), gestora de projetos e cofundadora do podcast “Sério, Sapiens?”.















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Você já parou para pensar que qualquer pessoa no mundo é capaz de auxiliar pesquisadores no avanço de conhecimentos importantes em qualquer área temática? Pode parecer um tanto quanto utópico, mas é uma realidade totalmente possível.

Nas últimas décadas, as ciências ambientais têm tido que lidar com questões complexas que vão desde as altas taxas de perda de biodiversidade, os impactos negativos das mudanças climáticas e até a gestão mais sustentável dos recursos naturais. Para temas que exigem informações constantes, o avanço tecnológico na conservação serviu como uma alavanca para esse campo do conhecimento, indo além dos laboratórios, instituições de ensino e podendo ser ampliada para a comunidade civil. Contudo, em uma sociedade cada vez mais urbanizada e afastada de ambientes naturais e da própria ciência, trazer as pessoas para iniciativas participativas é um obstáculo a ser superado.

Pensando nessas barreiras, um movimento que cresceu nos últimos anos baseado na ciência aberta é a proposta da Ciência Cidadã. Há diferentes definições desse termo dependendo da literatura que você encontrar, mas de maneira geral seria a prática de engajar qualquer pessoa da sociedade em um projeto científico, produzindo dados contínuos, confiáveis e utilizáveis por cientistas e tomadores de decisão. Nessa perspectiva onde os próprios cidadãos são parte essencial na geração de dados sobre a natureza, o resultado acaba sendo a aproximação da sociedade às questões ambientais, promovendo empoderamento e o sentimento de pertencimento dessas pessoas ao ambiente.

Tais iniciativas tornaram-se cada vez mais estratégicas por sua capacidade de envolver um considerável número de voluntários para gerar observações em escalas ou resoluções inatingíveis por pesquisadores individuais e com contribuições substanciais para a ciência, a educação e a sociedade. Por meio de ferramentas online, os voluntários podem encontrar projetos que correspondam aos seus interesses, no qual poderão aprender os protocolos necessários para desenvolver perguntas, coletar, enviar e até ajudar a processar e analisar dados online, dependendo do projeto (Figura 1).

Imagem da Bocaina - Blog Ciência em Ação

Figura 1: Formatos possíveis de projetos de ciência cidadã em áreas naturais com diferentes níveis de participação e tipo de cientistas cidadãos. Fonte: Esquema ilustrado por Gabrielle Abreu Nunes.

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Um dos exemplos mais famosos são os bancos de dados online sobre espécies de aves, como o eBird e o WikiAves. Estes websites são alimentados através dos cidadãos cientistas por meio da observação das aves, as quais são fotografadas e suas informações enviadas às plataformas, tornando possível inclusive o fotomonitoramento por meio de tags específicas nas redes sociais, como é o caso do projeto “Eu vi uma ave usando pulseira?”. Neste caso, a conservação pode ser aplicada através da pesquisa científica que leva em consideração as rotas migratórias e a distribuição de espécies dentro de um território. Vale ressaltar que, apesar do benefício gerado na coleta de dados, a observação de aves pode ser prejudicial à biodiversidade quando técnicas como o playback são utilizados indiscriminadamente para atrair certas espécies. Essa prática pode expor a ave à predação e ao estresse, além de prejudicar o tamanho populacional em caso de abandono de ninho, por isso a etapa de validação dos protocolos por especialistas é tão importante.

Com uma abordagem natural e humana combinada, a ciência cidadã também pode ajudar os pesquisadores a acessar o conhecimento local e implementar projetos de conservação que seriam impossíveis de outra forma. Esses dados são cruciais para fornecer insights precisos sobre onde são necessários mais recursos e mudanças ou melhorias nas políticas públicas. Tendo essa questão em mente, meu projeto de doutorado pretende investigar o grande potencial dessa abordagem para informar a gestão dos recursos naturais em diferentes níveis de tomadas de decisões e aproximar as pessoas às Unidades de Conservação. Para saber mais, confira o vídeo que ganhou o Prêmio USP de Pós-graduação sobre a minha tese “A Ciência Cidadã em Unidades de Conservação: um olhar sobre políticas públicas, bem-estar e desenvolvimento sustentável”.

Link aqui: https://www.youtube.com/watch?v=3mLxWzSjBXs

E se você ficou interessado em participar ou conhecer as iniciativas, acesse o portal do Sistema de Informações da Biodiversidade Brasileira , lá você encontrará os principais projetos cadastradas e espalhados ao redor do nosso país, são tantos temas legais que fica até difícil escolher um para participar.

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Mais sobre a autora:
Referências:EITZEL, M. V. et al. Citizen science terminology matters: Exploring key terms. Citizen
science: Theory and practice. v. 2, n. 1, 2017.
NUNES, G. A.; LINDENKAMP, T. C. M. . Ciência cidadã e a sustentabilidade: potencialidades da participação pública no turismo em Unidades de Conservação. Revista Eletrônica Uso público em Unidades de Conservação, v. 9, p. 79-99, 2021.
RIESCH, H.; POTTER, C. Citizen science as seen by scientists: methodological,
epistemological and ethical dimensions. Public Understanding of Science. 23(1): 107-120, 2014

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