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A Engenharia Agrícola e a Sustentabilidade: a tecnologia a favor da produção e do ambiente
Por: Anderson da Silva Pinheiro
Postado dia 28/07/2021
Formado em Agronomia pela Universidade Federal do Ceará, Mestrando em Engenharia Agrícola, com ênfase em irrigação e drenagem, pela Universidade Federal do Ceará. Interesse em projetos agropecuários e o desenvolvimento de tecnologias a favor da produção e do ambiente.









A Engenharia Agrícola está presente em quase todas as operações agrícolas nos dias de hoje e, consequentemente, no dia a dia da população mundial. Diante das crescentes demandas no campo, busca cada vez mais por processos tecnológicos que viabilizem um cultivo que tenha diversas frentes, procurando viabilizar não só a produção agrícola, mas o bem estar de quem trabalha no campo e a preocupação com um ambiente sustentável, já que este mesmo ambiente é quem proporciona o trabalho do campo.

Mas o que é especificamente a Engenharia Agrícola? Podemos dizer que a Engenharia Agrícola é a ciência que serve como ‘ponte’ entre a agricultura e a engenharia. É a área que estuda, pesquisa, desenvolve e implanta tecnologias voltadas para produção para criações e lavouras, buscando adequá-la às necessidades atreladas ao trabalho do campo, otimizando processos e potencializando recursos, aplicando os conhecimentos de outras áreas, como a mecânica e elétrica, de forma mais específica para o ambiente rural.

O profissional formado nessa área deve ser capaz de levar ao campo soluções práticas e inovadoras, que contribuam com o avanço tecnológico dos sistemas de produção agrícola e agroindustriais e, em contrapartida, respeitar a preservação do ambiente, visando um desenvolvimento sustentável. A preocupação com o ambiente nos últimos anos tem crescido e, junto com isso, as tecnologias que vem sendo desenvolvidas devem acompanhar essa preocupação, levando em conta que a preservação do meio é tão importante quanto o beneficiamento que a tecnologia pode trazer aos processos de produção.

Rabelo (2008) define que a sustentabilidade ambiental é atributo de entidade espaço-temporal, que deve se incorporar a relação Sociedade-Natureza. Com isso, ela condiciona uma coexistência harmoniosa entre homem e o meio, mediante o equilíbrio de sistemas transformados. Presume a incorporação de conceitos temporais, tecnológicos e financeiros, que deve refletir em um processo dinâmico e aleatório de transações de fluxo de energia, matéria e informação entre todos os componentes espaciais.

Essa discussão sobre preservar o meio e reduzir os impactos climáticos passa principalmente pela produção no campo. Para aqueles que são leigos no assunto, podem parecer palavras vazias e sem significado mas muitas evidências sustentam que no contexto agrícola, produzir e preservar já é realidade, especialmente aqui no Brasil. Somos protagonistas em diversas áreas de produção e conseguimos fazer isso preservando mais de 60% do território nacional, algo que não há parâmetros no mundo atual (VEJA, 2020). O país hoje consegue suprir uma demanda existente no mundo por culturas agrícolas ou mesmo o mercado agropecuário e, não necessariamente, há a necessidade de aumentar a área de cultivo nacional. É possível acrescentar essa produção, justamente com a inserção de novas tecnologias nos polos consumidores. Como isso é possível? Ora, é só pensar um pouco que, uma parte da produção de culturas que vem do Nordeste sequer tem irrigação utilizada nesses processos.

Por meio de instituições brasileiras e voltadas a ciência, como a EMBRAPA, empresas privadas e parcerias com universidades, o país conseguiu desenvolver uma agricultura bastante avançada, baseada na ciência, que tem como base três frentes: a capacidades de transformar solos ácidos (característicos do Brasil), em solos férteis (seja por aplicação de insumos; fertilizantes ou por operações envolvendo novas tecnologias, como revolvimento de solo com auxílio de implementos agrícolas e maquinário); adaptar o processo de produção à cada necessidade por região (o Brasil é um país de dimensões continentais, as mesmas técnicas que funcionam na região Nordeste podem não funcionar em outras regiões, por conta das características edafoclimáticas diferentes); e o desenvolvimento de cada vez mais de processos tecnologias de práticas sustentáveis. Com a inserção dessas características, a produtividade da agricultura brasileira cresceu mais de 500%, enquanto nossa área de cultivo cresceu não mais que 70% ou seja, estamos aumentando nossa produtividade por hectare.
As tecnologias vem ao homem para favorecer seu ambiente de trabalho e auxiliá-lo na execução nas tarefas diárias e não é diferente no âmbito rural. Parte das soluções estão em desenvolvimento em tecnologia de ponta, conectividade e até inteligência artificial. Existem hoje meios de, por exemplo, diminuir aplicação de herbicidas no
campo, através de mapeamento da área por drone, localização das ervas daninhas e, por meio de sensores específicos, aplicação do herbicida naquela determinada área, diminuindo o uso do produto, sua possível área de dispersão, já que a aplicação é específica em determinado local, e também diminuindo possíveis efeitos colaterais por uso excessivo do produto. Sem contar o fato de que o produto pode ser aplicado de dentro do trator agrícola, sendo acionado de dentro da cabine e sendo aplicado por meio de implemento agrícola em conjunto com tecnologia de ponta, conforme mostra a foto abaixo.
Imagem Bocaina

Figura 1: Aplicação de herbicida por sensor a laser acoplado em implemento agrícola, que funciona junto ao trator - Foto retirada do site: https://www.producer.com/crops/technology-targets-spray-control/

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Com o exemplo dado acima é possível economizar água, insumos, tempo de execução, redução de custos, diminuição da carga de trabalho para o operador e também diminuição dos impactos ambientais causados pela aplicação do produto fitossanitário.

Acredito que a Engenharia Agrícola e a Sustentabilidade Ambiental cada vez mais podem e devem caminhar juntos, visto que a demanda por alimentos no mundo deve crescer anualmente e, não é concebível imaginar que a viabilização do aumento da produção de alimentos, seja por aumentar a área de produção agrícola somente e de forma desnecessária. A tecnologia hoje está disponível para permitir que atinjamos esse objetivo, buscando cada vez mais preservar o ambiente, que serve não só como meio de convivência para todos os seres mas também como principal atuante nos processos de produção agrícola, afinal, como foi dito antes, sem ambiente, fica difícil de se imaginar como continuaremos a produção de alimentos no mundo.

Referências:

OLIVEIRA, J.L. Sustentabilidade do Modelo Agrícola: um estudo de caso. 2009. Dissertação (Mestrado em Engenharia Agrícola), Universidade Federal do Ceará. Fortaleza, CE, 84p.

RABELO, L. S. Indicadores de Sustentabilidade: a possibilidade do desenvolvimento sustentável. Fortaleza, Prodema, UFC, 2008. 126 p.

HERMAN, P. A preservação virá do campo. Revista Veja, Publicado em: 17 de julho de 2020. Disponível em: https://veja.abril.com.br/economia/a-preservacao-vira-do- campo/ Acesso em: 18/07/2021.