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Foco nas florestas: o uso das tecnologias espaciais na biologia da conservação
Por: Wilian Araujo Lopes                                              Postado dia 13/05/2021Graduando em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Diretor de Operações e co-fundador da startup educacional, Educame. Criador da página de divulgação científica, Metarosis. Membro técnico do subsistema de Payload da equipe de pesquisas espaciais, Czar Space UFMG, que detém associação ao Laboratório Integrado de Sistemas Aeroespaciais da UFMG (LISA). Possui experiência na área de ecologia, atuando principalmente nos seguintes temas: ecologia paisagem, ecologia da conservação e geoprocessamento. Atualmente, faz especialização em Climate Change and Health: From Science to Action, pela Yale University. É bolsista do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) e da Amplo Engenharia, onde trabalha com diagnóstico e monitoramento do dano ambiental do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho sobre comunidades e populações de mamíferos silvestres. Além disso, possui formação técnica em análises clínicas, com ênfase em farmacologia.









O desenvolvimento tecnológico propiciou para as ciências biológicas, avanços significativos em áreas como a biologia molecular, genética e ecologia. Destacando os estudos dos ecossistemas, nota-se que o uso de imagens de satélites vem se tornando mais comum. Johnston e seus co-autores, destacam que imagens de satélite representam informações ricas sobre populações de vida selvagem marinha e terrestre.
 
Por exemplo, analisando a imagem 1, observa-se por meio do instrumento Visible Infrared Imaging Radiometer Suite (VIIRS) que atuam através da detecção das assinaturas de calor de incêndios da banda espectral infravermelha. Quando um incêndio é catalogado, o sistema indica a área onde o evento ocorreu com um alerta. Como cada satélite orbita a Terra duas vezes ao dia, esses dados podem ser fornecidos em tempo quase real para qualquer pesquisador do globo.
Exemplo de imagem
Figura 1: incêndios florestais sitiam vários estados do Brasil. / Fonte: NASA.

O impacto dos satélites nos estudos dos ecossistemas terrestres

Na visão de David Johnston, biólogo e ecologista da Duke University, os estudos em biologia da conservação irão potencializar a necessidade do uso de ferramentas espaciais. O pesquisador destaca que as imagens de satélite possibilitam a criação de novas perspectivas de obtenção de dados e métodos de análises que auxiliam na maximização da exatidão.
 
Em uma análise mais aprofundada, verifica-se que os satélites podem ser aplicados em pesquisas sobre o comportamento da vida selvagem. Atualmente, o professor e ecólogo da University of California, Santa Barbara, Douglas McCauley, usa dados satélites para determinar como as ervas do ecossistema Serengeti exploram o habitat. Por meio do método de espectrofotometria, o cientista observa onde a grama é mais verde - com base em padrões de reflexão. Além disso, McCauley descreve os dados obtidos, por meio dos satélites como um “macroscópio". O biólogo aborda que o uso das imagens espaciais, propiciam a diminuição dos orçamentos dos programas de conservação, pois os dados estão frequentemente disponíveis sem nenhum custo e com menos risco para os pesquisadores, tendo em vista que estudos aéreos e marinhos são especialmente perigosos, principalmente em regiões polares.
Imagem Bocaina

Figura 2: Satélites, uma nova ferramenta para rastrear incêndios na Amazônia. / Fonte: NASA

As dificuldades do uso das tecnologias espaciais

Por que os dados de satélites não são altamente usados por ecólogos? De acordo com a Nathalie Pettorelli, ecóloga do Zoological Society of London, a biologia tradicional foi instruída com a idealização da observação das espécies em campo. No entanto, com o desenvolvimento do sensoriamento remoto em consonância com o uso de dados gerados por satélites, houveram mudanças, principalmente na geografia e biologia. Porém, por não compartilharem conceitos e terminologias comuns, há divergências nas descrições, onde um biólogo aborda os estudos de ecossistemas, já um geógrafo explica a cobertura da terra.

Amazônia 1 e o Sensoriamento remoto no Brasil

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Amazonia 1 (denominação técnica SSR-1) representa um satélite de imageamento terrestre, foi lançado em 28 de fevereiro de 2021, na missão PSLV-C51, às 01:54. Apesar de não ser o primeiro satélite brasileiro, é o primeiro projetado, produzido e testado inteiramente no país.

De acordo com o INPE, o satélite irá fornecer dados (imagens) de sensoriamento remoto, a fim de observar e monitorar o desmatamento especialmente na região da Amazônia Legal e, também, a diversificada agricultura em todo o território nacional com uma alta taxa de revisita, buscando atuar em sinergia com os programas ambientais existentes, gerando dados para futuras pesquisas.

Atualmente, as imagens são geradas e obtidas por satélites com missões específicas de imageamento. No Brasil, as informações de sensoriamento remoto são coletadas a partir de diversas plataformas espaciais. O INPE detém um banco de astrofotos dos satélites: Cbers-2 (China-Brasil), Cbers-2B (China-Brasil), Landsat1, Landsat2, Landsat3, Landsat4, Landsat5, Landsat7 (EUA), Resourcesat-1 (Índia), Terra (EUA) , Aqua (EUA) e Amazonia1( Índia-Brasil).

Os dados obtidos nessas plataformas, são usados em pesquisas que fornecem ao governo informações que auxiliam na administração dos recursos naturais como uso do solo, da água, exploração florestal e agricultura. Os Cbers, uma família de nanossatélites da categoria CubeSat e os satélites da constelação Landsat, são amplamente usados como doadores de dados ambientais. Por outro lado, os satélites Aqua e Terra, são usados no monitoramento para sensoriamento remoto da terra, dos oceanos e da atmosfera.

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Referências

Câmara, I. G. Plano de Ação para a Mata Atlântica. Fundação SOS Mata Atlântica. São Paulo, SP. 152p. 1991.
GAAF. Olhos na natureza: como a imagem de satélite está transformando a ciência de conservação - GAAF - Geotecnologia Aplicada em Agricultura e Floresta. Disponível em <https://pesquisa.unemat.br/gaaf/noticia/36/olhos-na-natureza-como-a-imagem-de-satelite-esta-transformando-a-ciencia-de-conservacao>. Acesso em: 30 Apr. 2021.
MundoGEO. Sensoriamento remoto no Brasil. Disponível em: <https://mundogeo.com/2013/02/15/sensores-remotos/>. Acesso em: 30 Apr. 2021.
INPE. Evolução da Campanha de Lançamento. Disponível em: <http://www.inpe.br/noticias/noticia.php?Cod_Noticia=5663>. Acesso em: 30 Apr. 2021.
NASA. Wildfires Besiege Several States in Brazil. Disponível em: <https://www.nasa.gov/image-feature/goddard/2017/wildfires-besiege-several-states-in-brazil>. Acesso em: 30 Apr. 2021.
Jorge, L. A. B. & Garcia, G. J. A study of habitat fragmentation in Southeastern Brazil using remote sensing and geographic information systems (GIS). Florest Ecology and Management 98: 35 – 47. 1997
Young, A. & Mitchell, N. Microclimate and vegetation edge effects in a fragmented podocarp-broadkeaf forest in New Zealand. Biological Conservation 67: 63-72. 1994.