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Autores do Blog Ciência em Ação

Por: Luiz Carlos Santos
Postado dia 18/05/2022

UNIMES (Universidade Metropolitana de Santos) – Gestão Ambiental
UNESA (Universidade Estácio de Sá) – Pós-graduação em Auditoria e Perícia Ambiental
Universidad Martin Lutero Miami - Flórida - EUA – Doutorado em Ciências Ambientais
Áreas de interesse: Conservação da biodiversidade















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Na história da humanidade, toda colonização se baseou em assentamentos próximos a fontes de água doce, sejam próximos a nascentes, rios, lagos, etc. No decorrer dos séculos, o aumento das populações obrigou uma expansão vertiginosa, criando grandes centros metropolitanos, e, evidentemente, maiores problemas. Acompanhando essa evolução e buscando dinamismo para o sustento populacional, várias alternativas foram incluídas na geração de melhores condições de sobrevivência, melhora na qualidade de vida, atendimento das necessidades básicas e uma infinidade de produtos e serviços para atender essa população em constate aumento exponencial.

Citando um desses elementos para acompanhar tal desenvolvimento, os veículos automotores tornaram-se fundamentais para acompanhar e dar agilidade na locomoção e distribuição de todos os agentes necessários para o sustento dessa máquina cosmopolitana. Isso gerou um passivo ambiental gigantesco e degradante, tanto em emissões de gases causadores do efeito estufa, queima de combustíveis fósseis não renováveis e infinidades de componentes não reutilizáveis.

Nessa ótica, há um elemento fundamental e necessário para que toda essa engrenagem funcione, os pneus. Essa “reinvenção da roda” tornou o mundo mais ágil e apressado, encurtou tempos de locomoção, distâncias continentais na utilização de aviões e afins. O custo ambiental desse serviço é incalculável, uma vez que, após o seu uso, torna-se inservível e altamente nocivo ao meio ambiente, tem se buscado alternativas de sua reutilização, como, uso em usinas como combustível para caldeiras em geração de energia, inclusão em reaproveitamento de asfalto rodoviário. Essa inservibilidade é visível no tempo de desuso, não atentando nos efeitos sócios ambientais durante seu tempo.

Basicamente, o pneu é composto por uma série de elementos químicos, sendo, o principal o negro de fumo, com cerca de 28% de sua composição, agravado por ser ricamente a base de carbono (C) entorno de 95% de pureza, de origem fóssil não renovável. Faz parte do elenco dos atores coadjuvantes dos gases causadores do efeito estufa.

No Brasil são produzidos anualmente cerca de 515 mil t/ano de negro de fumo, como parâmetro, um pneu de carro de passeio perde em torno de 14% de sua massa da banda de rodagem durante sua vida útil, acertadamente, pode-se dizer que mais 70 mil t/ano são lançados na atmosfera de forma fragmentada, não poupando nenhum habitat. Os grandes centros urbanos, são bombardeados constantemente por esses produtos, inalados por todos os seres vivos. Como auxiliares nessa dispersão, são as chuvas, ventos e a própria locomoção veicular, disseminando por todas regiões onde se usa veículos automotores, não poupando nenhuma região remota, desde que tenha a utilização de veículos.

Recentemente, em reportagem digital, mais precisamente em setembro/2021 o Kuwait, país localizado na Ásia Ocidental, tinha depositado em seu deserto cerca de 42 milhões de pneus inservíveis, sendo o maior cemitério de pneus do mundo. O país queria tirar esse estigma e incentivou o reuso dos pneus para serem usados na confecção de produtos de borracha para playground.

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Dada a preocupação sócio ambiental por causa da queima de combustíveis fósseis, muitas montadoras estão aderindo à fabricação de veículos elétricos, como forma de amenizar e diminuir a emissão dos gases do efeito estufa, nesse detalhe, a questão dos pneus inservíveis continua evidente.

Em contrapartida, a indústria pneumática (pneus) não tem nenhuma responsabilização sócio ambiental sobre o produto descartado, tampouco, o desenvolvimento de produtos sustentáveis, inserção de logística reversa obrigatória por legislação específica. O princípio poluidor/pagador, adotado no início da década de 1970, antes mesmo da Convenção de Estocolmo em 1972, seja por inércia ou falta de observância por parte dos poderes públicos, é ignorado.

A nível global, a somatória de dispensação de produtos e subprodutos oriundos da fragmentação pneumática, é incalculável. Gerando um custo exacerbado a saúde pública ou privada. Nessa associação de doenças respiratórias aos fatores de alergias, está intrinsecamente ligada as causas não identificadas ou em termos de nomenclatura como, viroses. Importante destacar, que dentre os parâmetros de análise de qualidade do ar em material particulado (MP) adotado pela CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) sendo referência nacional na análise da qualidade do ar, não é identificado nenhum dos componentes originais das fragmentações pneumáticas, os dados gerais não são específicos e detalhados, são somente, materiais compostos por poeira, fuligem e nano-fragmentos, não identificando o negro de fumo por falta de reagente específico.

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Material Particulado (MP) - é uma mistura complexa de sólidos com diâmetro reduzido, cujos componentes apresentam características físicas e químicas diversas. Em geral o material particulado é classificado de acordo com o diâmetro das partículas, devido à relação existente entre diâmetro e possibilidade de penetração no trato respiratório (MMA, 2022).

Entretanto, uma discussão científica e acadêmica, inclusão de análise específica desses materiais, legislação adequada a essa questão se faz necessária para identificar a nocividade dessa causa primária. A indústria pneumática, tem sua grande parcela de culpa, e inevitavelmente não se pode atribuir como penalização a compra de créditos de carbono, não tendo o direto de poluir. Concomitantemente, a visão de preservação e reaproveitamento dos pneus se limita em seu desuso, ignorando, que são os mesmos materiais que são lançados de forma contínua em proporções de milhões de t/dia em todo planeta.

Referências:https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44459485
https://54psi.com/kuwait-esta-transformando-seu-cemiterio-de-pneus-dito-o-maior-do-mundo-em-uma-nova-cidade-inteligente/

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