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Autores do Blog Ciência em Ação

Por: Carolina Sad Navarro
Postado dia 24/06/2022

Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas pela PUC Minas. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Parasitologia pela UFMG e integrante do Laboratório de Epidemiologia de Doenças Infecciosas e Parasitárias do ICB/UFMG. Atualmente se dedica à pesquisa sobre a carga de dengue nos países da América Latina e no Brasil.















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A parasitologia é o ramo da biologia que estuda os parasitos e suas interações com os hospedeiros. Para o estabelecimento da relação entre duas espécies, além do processo evolutivo, três condições são necessárias: adaptação de uma espécie com a outra; ligação dos fatores ecológicos, comportamentais e fisiológicos das espécies envolvidas e por último, a interação bem sucedida das espécies após essa associação (NEVES, 2016). Quando utilizamos o termo parasitos estão inclusos: helmintos, pulgas, protistas, plantas parasitárias, vírus, bactérias e fungos (HATCHER et al., 2012).

A conservação é um conjunto de medidas e ações tomadas com o objetivo de buscar a utilização racional dos recursos naturais protegendo-os, garantindo sua existência e manutenção. O ato de conservar, isto é, manter o equilíbrio buscando as menores alterações possíveis, é um procedimento que é realizado pelos seres vivos conscientemente ou intuitivamente (PADUA, 2006).

Agora que sabemos os conceitos separados como, de fato, os parasitos se associam com a conservação? Bom, já sabemos que para manter o equilíbrio ecológico, ou seja, quando a relação entre os organismos e o ambiente estão em harmonia, é necessário que todos os seres vivos prestem serviços ecológicos para que o ecossistema funcione. Mas que serviços são esses que os parasitos podem prestar? Podemos citar: regulação da comunidade, promoção da diversidade genética da população, impacto na regulação da densidade e distribuição geográfica das espécies, reguladores tróficos e indicadores de saúde dos ecossistemas (PORTOCARRERO, 2021).

Começando com a regulação da comunidade esses organismos possuem um papel importante na regulação da abundância das espécies, pois diferentes hospedeiros têm suscetibilidades e tolerâncias distintas aos parasitos. Isto é, os parasitos auxiliam na coexistência das várias espécies quando regulam a população dominante. Um exemplo disso são as plantas invasoras que se tornam pragas quando seus parasitos estão ausentes, mostrando que a ausência destes organismos ajuda a revelar sua influência na regulação e abundância das pragas no ambiente inserido (HUDSON et al., 2006; PORTOCARRERO, 2021).

Sobre a promoção da diversidade genética da população podemos citar que eles realizam papel importante pois, para manter a diversidade genética, os parasitos possuem estratégias de sobrevivência diferentes, como por exemplo os que são especialistas e que têm adaptações para um hospedeiro específico. Podemos citar entre parasitos especialistas o Plasmodium spp, parasito da malária em humanos, e mais especificamente o P. vivax que só infecta células sanguíneas (reticulócitos) jovens que expressam um determinado antígeno na membrana desta célula, fazendo uma pressão seletiva no hospedeiro. Sendo assim o ser que não expressa esse antígeno pode não ser suscetível a contrair o protozoário (LOKER et al., 2015; PORTOCARRERO, 2021).

Outro papel muito importante que os parasitos têm é em relação a regulação da densidade e distribuição geográfica das espécies. Podemos usar como exemplo o papel de alguns parasitos que induzem a mortalidade do hospedeiro para que se diminuam as fases de transmissão do patógeno. Ex: o fungo parasita Metschnikowia bicuspidata em pulga da água (hospedeiro copépode). Ou trypanosoma brucei que impede a ocupação de alguns lugares pelos humanos e animais para manter o sistema em que vive original (LOKER et al., 2015; (PORTOCARRERO, 2021).

Em relação a regulação trófica, os parasitos são relevantes pois fazem parte da função e manutenção dos ecossistemas por estarem presentes na maioria das ligações tróficas, como por exemplo, o papel das bactérias de controlar a população de ouriços do mar para que algas possam florescer, já que são alimentos para outros organismos. Além disso podem influenciar e facilitar a sua transmissão ao alterar o comportamento do hospedeiro intermediário bem como a predação e suas interações (MARCOGLIESE, 2005; BUCK et al., 2017; PORTOCARRERO, 2021).

Por fim, esses organismos são notáveis como indicadores de saúde dos ecossistemas porque alterações no ambiente afetam as populações de parasitos, sendo assim, eles são monitorados para fornecer informações e acontecimentos no equilíbrio dos ecossistemas. Quando há alterações no ecossistema, que de alguma maneira impacta o equilíbrio da cadeia trófica, os parasitos têm sua abundância e diversidade prejudicadas (MARCOGLIESE, 2005; PORTOCARRERO, 2021).

Essas são só algumas funções que esses organismos exercem sobre o meio. Ainda há muitas outras a serem descobertas. Por esse motivo estudar os parasitos e sua relação com o ambiente em todas as esferas é de extrema importância, pois nos ajuda a compreender como o ecossistema funciona em todas suas associações e nos mostra como a conservação da natureza é necessária para que se mantenha o equilíbrio ecológico.

Imagem da Bocaina - Blog Ciência em Ação

Figura 1.

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Referências:

BUCK, Julia C.; RIPPLE, William J. Infectious agents trigger trophic cascades. Trends in ecology & evolution, v. 32, n. 9, p. 681-694, 2017.
HATCHER, MJ., DICK, JTA., DUNN AM. Diverse effects of parasites in ecosystems: Linking interdependent processes. Frontiers in Ecology and the Environment, 10: 186–194, 2012
HUDSON, Peter J.; DOBSON, Andrew P.; LAFFERTY, Kevin D. Is a healthy ecosystem one that is rich in parasites?. Trends in ecology & evolution, v. 21, n. 7, p. 381-385, 2006.
LOKER, ES., HOFKIN, BV. Parasites and conservation biology. In Parasitology: A Conceptual Approach (pp. 317-354). Garland Science, Taylor & Francis Group, 2015.
MARCOGLIESE, DJ. Parasites of the superorganism: are they indicators of ecosystem health? Int J Parasitol, 35(7):705-16, 2005.
NEVES, David Pereira. Parasitologia Humana. 13. ed. São Paulo: Atheneu, 2016.
PADUA, Suzana. Afinal, qual a diferença entre conservação e preservação? O ECO, 2006. Disponível em https://oeco.org.br/colunas/18246-oeco-15564/. Acesso em 20 de maio de 2022.
PORTOCARRERO, Érica Bluemel. Medicina Veterinária na saúde dos ecossistemas: contributo da parasitologia. 2021.

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