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Autores do Blog Ciência em Ação

Por: Monica Piccinini
Postado dia 30/04/2022

Escritora freelance, interessada nas areas de ciência, saúde, meio ambiente e direitos humanos. Higher National Certificate e Higher National Diploma em desenho grafico pelo Brooklands College, Certificado de Jornalismo, University of Pennsylvania, Certificado de Quimica e Saude, The Johns Hopkins University e atualmente cursa “freelance and feature writing” pela London School of Journalism. Trabalhou na area de recursos humanos e contribuiu com artigos sobre o Brasil para o jornal britanico Byline Times. Contribui com artigos para a revista brasileira “A Escola Legal” e mantem um blog baseado em questões sobre o meio ambiente, saude e direitos humanos.















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Os bairros de Londres estão arriscando a saúde dos moradores e da biodiversidade ao pulverizar ‘coquetel’ de pesticidas tóxicos.

De acordo com a Pesticide Action Network UK, informações divulgadas recentemente revelam que as autoridades locais de Londres estão usando 22 produtos químicos potencialmente nocivos para remover ervas daninhas nas ruas, parques e playgrounds de Londres.

A lista inclui sete pesticidas ligados ao câncer e nove contaminantes das águas subterrâneas que ameaçam a vida selvagem aquática.

O glifosato, um herbicida sintético, o pesticida mais utilizado com mais de 26.000 litros, o equivalente a 130 banheiras – pulverizadas nos espaços públicos de Londres nos últimos três anos.

Em 2017, a Organização Mundial da Saúde classificou o glifosato como um “provável carcinógeno humano”. Desde então, a fabricante, Bayer/Monsanto, vem lutando com processos de bilhões de dólares de milhares de reclamantes alegando que a exposição aos produtos à base de glifosato da empresa causou o linfoma não-Hodgkin.

“Está absolutamente claro que o glifosato pode causar câncer em animais de experimentação”, afirmou o ex-diretor da Agência Norte-Americana de Substâncias Tóxicas e Registro de Doenças, Chris Portier, que trabalhou na IARC, Agência Internacional para Pesquisa e Revisão do Câncer sobre o glifosato.

“E a evidência em humanos de uma associação entre o glifosato e o câncer também existe, predominantemente para o linfoma não Hodgkin”, acrescentou Portier.

Pesticidas podem afetar nossa saúde; eles são capazes de causar diferentes tipos de câncer, incluindo leucemia e linfoma não-Hodgkin, são desreguladores endócrinos, que interferem nos sistemas hormonais, causando defeitos congênitos, distúrbios do desenvolvimento, infertilidade e função sexual.

Além disso, são considerados uma neurotoxina que afeta os tecidos nervosos e o sistema nervoso. Crianças e gestantes são as mais suscetíveis aos efeitos dos agrotóxicos.

Um estudo recente publicado na Environmental Research demonstra que a exposição ao glifosato e seu produto de degradação reduz a duração da gravidez, aumentando o risco de parto prematuro. Os nascimentos prematuros ocorrem quando um feto nasce cedo ou antes de 37 semanas de gestação completa.

“Estamos no meio de uma crise de biodiversidade com espécies como abelhas em declínio rápido e pesticidas apontados como um dos principais fatores. Também sabemos que as crianças são mais vulneráveis aos impactos dos agrotóxicos porque seus corpos ainda estão em desenvolvimento. Mas, apesar dessas sérias preocupações com a saúde pública e o meio ambiente, a maioria dos conselhos de Londres usa rotineiramente herbicidas químicos por nenhuma outra razão além de manter os lugares com aparência 'limpa e arrumada'”, disse Nick Mole, da PAN UK.

A pesquisa YouGov divulgada juntamente com a pesquisa da PAN UK revela que metade (49%) dos londrinos apoiaria a proibição do uso de herbicidas em sua área local, com apenas 18% contra. Aproximadamente um terço (32%) não sabia se apoiaria a proibição, destacando que ainda há falta de informação sobre o assunto, pois os conselhos municipais não são obrigados a notificar os moradores quando a pulverização está ocorrendo.

Imagem da Bocaina - Blog Ciência em Ação

Figura 1: Total de pesticidas (herbicidas) relatados em forma líquida usados pelos bairros de Londres em 2020.

Fonte: Dados apresentados com base na compilação e análise da PAN UK das solicitações de Liberdade de Informação para trinta e dois conselhos municipais de Londres em setembro e outubro de 2021. 31 conselhos municipais responderam (todos, exceto o Ealing Council).

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A boa notícia é que já existem mais de 40 conselhos municipais do Reino Unido que ficaram livres de pesticidas, incluindo os bairros londrinos de Hammersmith e Fulham em 2016 e, mais recentemente, Lambeth.

“Embora seja encorajador ver tantos conselhos municipais tomarem medidas para tornar os parques mais seguros para as pessoas e a biodiversidade, há uma falta real de pensamento coletivo. As calçadas da nossa capital permanecem em grande parte esquecidas e continuam a ser pulverizadas com frequência, a poucos metros das portas das pessoas e espaços designados “amigos da vida selvagem”. Os conselhos municipais estão deixando os moradores na mão e minando seus próprios esforços positivos para apoiar a natureza”, mencionou Emma Pavans de Ceccatty, da PAN UK.

No período que antecedeu as eleições para prefeito de Londres em 2021, candidatos de todos os partidos políticos concordaram publicamente que acabar com o uso de pesticidas era um passo vital para enfrentar os desafios ligados ao clima, à restauração da natureza e à saúde e bem-estar das pessoas que usam espaços verdes.

Infelizmente, a pesquisa da PAN UK revela que mais de dois terços dos conselhos não têm planos de parar de pulverizar as ruas com pesticidas tóxicos.

O Dr. Marcos Orellana, Relator Especial das Nações Unidas sobre tóxicos e direitos humanos, identifica um ambiente não tóxico como um dos elementos substantivos do direito a um ambiente seguro, limpo, saudável e sustentável, onde as pessoas possam viver, trabalhar, estudar e se divertir.

Imagem da Bocaina - Blog Ciência em Ação

Figura 2

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Orellana destaca as obrigações do Estado, responsabilidades empresariais e boas práticas relacionadas à garantia de um ambiente não tóxico, prevenindo a poluição, eliminando o uso de substâncias tóxicas e reabilitando locais contaminados.

Faltando apenas um mês para as eleições locais de Londres, os londrinos devem garantir compromissos dos candidatos para eliminar gradualmente o uso de pesticidas. A PAN UK está pedindo aos eleitores que participem de eventos municipais para chamar seus possíveis conselheiros para apoiar a eliminação de pesticidas.

À medida que continuamos a enfrentar os efeitos de múltiplas crises, incluindo a pandemia de Covid-19, um conflito na Ucrânia, uma crise econômica, energética e climática, devemos fazer todos os esforços para permanecer focados em nosso direito de viver em um ambiente limpo e seguro.

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