João da Silva
Carolina Rosa                                                            Postado dia 26/03/2021Bióloga e Mestra em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável
Fundadora e CEO da ECO Saboaria Natural

Como já disse o nosso querido Papagaio no Podcast Papagaio de Primata no episódio Uma ilha fora do mapa, esse papo de lixo pode dar uma leve indigestão, mas precisamos falar sobre ele... E concordo com você Papagaio, quando diz que “é muito lixo, de tudo quanto é formato e material” e toda essa problemática também se estende na área da beleza com o uso de cosméticos e higiene pessoal.

Assim como na cozinha em que muitos não fazem ideia do que estão comendo, na área da beleza e dos cosméticos não é muito diferente. Muitos não fazem ideia das matérias-primas que os compõem e quais impactos podem gerar a nossa saúde e ao meio ambiente. Normalmente não temos o hábito de ler os rótulos dos cosméticos e acreditamos que os cosméticos convencionais não podem prejudicar a saúde e o meio ambiente, pois necessitam de regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para serem comercializados. Mas infelizmente, diferentes cosméticos, maquiagens e produtos de higiene podem ser prejudiciais à saúde, ao meio ambiente e até a própria beleza.
 
Você já ouviu falar de parabenos, sulfatos, derivados de petróleo, BHT, BHA, EDTA, corantes artificiais, fragrâncias sintéticas? Esses e outros nomes estranhos compõem a base de muitos cosméticos convencionais e podem ser prejudiciais à nossa saúde e ao meio ambiente. Diversos estudos apontam que essas substâncias químicas sintéticas podem causar alergias, distúrbios endócrinos, distúrbios como depressão, anemia, problemas neurológicos e ósseos, redução da fertilidade, defeitos congênitos, agitação, agressão, perda de concentração, hiperatividade, Alzheimer, Parkinson e até mesmo câncer (OKEREKE et al. 2015, DARBRE et al. 2004, COLBORN et al. 1997).

Na natureza também não é diferente. Depois que todos esses resíduos dos produtos são eliminados, quando não tratados, entram em contato com os rios, lagos, e o impacto ambiental é gigantesco, sendo a poluição hídrica um dos problemas mais críticos, e olha que não estou falando sobre as embalagens plásticas.

Muitos desses componentes sintéticos não são capazes de se degradar naturalmente, afetando a biodiversidade e os ecossistemas, ocorrendo a falta de oxigênio, a redução da entrada de luz provocada por espumas que se formam na superfície, impedindo a realização da fotossíntese pelos seres vivos subaquáticos. Esses organismos dependem da energia solar para produzir moléculas mais complexas, das quais toda a vida no planeta necessita; o ar que respiramos é uma delas. Por isso é tão importante conhecer e evitar o uso de alguns componentes.

E é aí que entra a parte boa dessa história...

Como foi falado no podcast, tem muita gente tentando mudar esse cenário de degradação e precisamos compartilhar essas ideias e possíveis soluções para os problemas do lixo contemporâneo.
João da Silva
Você já ouviu falar em cosméticos naturais?

Existem diferentes tipos de cosméticos disponíveis no mercado, entre eles estão os convencionais e os naturais. Os cosméticos convencionais possuem produtos com uma porcentagem de ingredientes sintéticos (corantes, fragrâncias, conservantes), derivados do petróleo, testados em animais e geneticamente modificados. Para que um cosmético seja natural ele não deve conter aditivos químicos em sua composição, possuindo matérias-primas naturais, como manteigas e óleos vegetais, corantes e pigmentos naturais, óleos essenciais, extratos vegetais, minerais, e outros, segundo informações do Instituto Biodinâmico (IBD) e Ecocert (SEBRAE 2008, 2012). Em comparação com produtos industrializados, os cosméticos naturais são mais seguros, livres de substâncias sintéticas ou tóxicas que prejudicam a saúde e o meio ambiente.

A história que vou contar hoje é da ECO Saboaria Natural, uma marca de saboaria e cosmética natural vegana e ecológica produzida em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Ela foi criada por mim em 2019, a partir da ideia de que era possível produzir cosméticos 100% naturais de forma responsável, respeitando a sociobiodiversidade e deixando uma pegada mais leve no nosso planeta.

Os produtos da ECO Saboaria Natural são feitos por uma mulher, de forma artesanal. São 100% naturais, veganos (um modo de vida que tenta excluir todas as formas de exploração e crueldade animal, seja de alimentos, roupas, cosméticos, remédios, calçados ou qualquer outra forma de consumo), são sustentáveis e biodegradáveis. Não são usados ingredientes sintéticos, corantes, fragrâncias, conservantes, derivados de petróleo, parabenos, ftalatos, gordura animal, sulfatos, parafinas, óleos minerais e outros que possam ser prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, e não são realizados testes em animais. Essa produção adota uma maneira sustentável pensando em todo ciclo da cadeia produtiva e favorecendo a economia local. Essa prática tem sido crescente no Brasil e no mundo, e segue a nova tendência “Slow Beauty” que tem como pilares a sustentabilidade, a saúde e o consumo consciente. Propõe-se uma maneira mais gentil de autocuidado, defendendo uma beleza mais natural, com produtos mais simples, mas que sejam funcionais e livres de químicas agressivas à saúde e ao meio ambiente. Aborda um consumo consciente, diminuindo o lixo gerado na cadeia de produção, repensando o que se consome e o impacto disso na natureza, proporcionando uma vida consciente e equilibrada (SILVA, 2020).
João da Silva
A marca acredita na sustentabilidade como caminho para a qualidade ambiental, justiça social e prosperidade econômica, e tem como missão fazer cosméticos 100% naturais com impacto social e ambiental. A maior parte das matérias-primas utilizadas vem de biomas brasileiros envolvendo o trabalho de comunidades tradicionais, sendo um produto do agroextrativismo comunitário sustentável. Ao utilizar produtos florestais das populações nativas, objetiva-se contribuir com a geração de renda local através de um manejo sustentável e promover a conservação dos biomas. Essa alternativa contrapõe a exploração indiscriminada, gera recursos, torna a floresta rentável, reduz a pobreza, promove a manutenção da sua estrutura, funções ecológicas e integridade de sua biodiversidade, e sensibiliza as pessoas da importância de se conservar e valorizar ainda mais a nossa rica biodiversidade (SILVA, 2020).

As embalagens utilizadas são biodegradáveis, reutilizáveis e/ou recicláveis, tendo como proposta gerar menos lixo na cadeia de produção. Para seu descarte final, é feito a compensação ambiental e a logística reversa de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, para que o lixo gerado tenha a destinação ambientalmente correta. Essa ação é realizada através da parceria com o selo EuReciclo (EURECICLO, 2021), uma empresa que certifica a logística reversa de embalagens pós consumo, através de uma plataforma de rastreamento de notas fiscais emitidas por cooperativas e operadores de reciclagem parceiros. Através do conceito de compensação ambiental, ele garante que as marcas que carregam o seu selo, destinam recursos para o desenvolvimento da cadeia de reciclagem, contribuindo com as metas da logística reversa das embalagens geradas pela empresa, ditadas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos. Dessa forma, as empresas contribuem com o aumento da reciclagem no Brasil e com a formalização e valorização dos agentes dessa cadeia. Além disso, ao estampar o selo EuReciclo no rótulo dos produtos comunica-se aos consumidores o engajamento da marca com a reciclagem. Parte do impacto ambiental é compensado e o desenvolvimento da cadeia de reciclagem é incentivado (SILVA, 2020).

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Na Era do consumismo é importante se informar sobre o consumo consciente, valorizar marcas sustentáveis e comprar produtos de comércio justo. A importância de comprar esses produtos vai além dos objetivos nobres que o comércio justo busca. Consumir os produtos de pequenos produtores e pequenas empresas locais ajuda a alavancar a economia da sua cidade, de seu estado e do país. E também ajuda as pessoas que vivem dessas atividades a sobreviverem em um mercado que é altamente competitivo e predatório. Da mesma maneira, incentivar as marcas sustentáveis é importante porque, assim, as concorrentes também terão que aderir a esse movimento, seja por questões comerciais ou por realmente acreditar nele. Isso vai criando a famosa “corrente do bem”. Mas é preciso tomar cuidado com a “maquiagem verde” ou greenwashing, termo em inglês, que caracteriza algumas marcas e serviços que fingem ser ambientalmente corretos quando não o são. Por isso, é fundamental se informar sobre as empresas, os modos de produção, os fornecedores e os conteúdos dos produtos ou serviços. Busque também se informar sobre consumo consciente. Pesquise se o que você consome causa algum impacto no meio ambiente e nas pessoas (seja positivo ou negativo). Praticar um consumo consciente é tomar o cuidado necessário para que esses impactos aconteçam cada vez menos ou em menor intensidade (NAKAGAWA, 2018).

Referências:

> COLBORN, T., DIANNE. DUMANOSKI, AND JOHN PETERSON. MYERS. Our Stolen Future: Are We Threatening Our Fertility, Intelligence, and Survival? : A Scientific Detective Story : With a New Epilogue by the Authors / Theo Colborn, Dianne Dumanoski, and John Peterson Myers [foreword by Al Gore]. New York: Plume : Penguin, 1997.

> DARBRE, P. D.; ALJARRAH, A.; MILLER, W. R.; COLDHAM, N. G.; SAUER, M. J.; AND POPE, G. S. Concentrations of Parabens in Human Breast Tumours. JOURNAL OF APPLIED TOXICOLOGY J. Appl. Toxicol. 24, 5–13 (2004) Published online in Wiley InterScience (www.interscience.wiley.com). DOI: 10.1002/jat.958

> EURECICLO. Disponível em: https://alias.eureciclo.com.br/ Acesso em: 08 jan. 2021.

> NAKAGAWA, M. H. 101 dias de ações sustentáveis para mudar o mundo. São Paulo: Labrador, 2018. 240p.:il. ISBN 978-85-93058-86-8.

> OKEREKE J. N., UDEBUANI A. C., EZEJI E. U., OBASI K. O., NNOLI M. C. Possible Health Implications Associated with Cosmetics: A Review. Science Journal of Public Health. Special Issue: Who Is Afraid of the Microbes. Vol. 3, No. 5-1, 2015, pp. 58-63. doi: 10.11648/j.sjph.s.2015030501.21

> SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Cosméticos a base de produtos naturais, 2008.

> SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Fábrica de cosméticos ecológicos, 2012.

> SILVA, C. R. Saboaria e cosmética natural com produtos do Cerrado: empreendedorismo sustentável para a valorização e conservação da sociobiodiversidade. Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade. Instituto de Pesquisas Ecológicas, São Paulo, 2020.
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