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Série Naturalistas - Saint-Hilaire
Auguste de Saint-Hilaire           Postado dia 15/04/2021Naturalista francês que veio ao Brasil em uma missão extraordinária francesa, liderada pelo duque de Luxemburgo. Aqui, coleta diversos espécimes animais e vegetais e, ainda, descreve aspectos culturais e naturais das regiões que visitou.









A história envolve o estudo e a organização de processos históricos e pré-históricos, de modo que pode abordar a vida de figuras importantes que influenciaram o desenrolar dos fatos.

Mas, muitas histórias passam desapercebidas em meio às outras e não fazem seu caminho para os livros... ainda assim, elas podem dar muito "pano pra manga"! A história de Auguste de Saint-Hilaire, por exemplo, é uma delas.

Em 1779, nasce Auguste de Saint-Hilaire, em Órleans (França). Por volta dos 10 anos de idade, Saint-Hilaire passa por algumas experiências que certamente moldaram seus interesses. Veja bem: sua história se dá em meio a Revolução Francesa (1789-1799)! Imagina... vir de uma família nobre em meio ao colapso da monarquia absolutista da França, quem lhe forneceu diversos privilégios e títulos... parece uma relação complicada.

Série Naturalistas - Saint-Hilaire

Por esse motivo, Auguste foi enviado para morar com sua tia, em Hamburgo, na Alemanha. Nessa etapa de sua vida, Saint-Hilaire acabou por se tornar amigo de Karl Kunth, que fora colaborador de Alexander Humboldt . Sim, aquele Hamboldt... naturalista importantíssimo cuja história já contamos aqui no blog! Saint-Hilaire então, teve contato com as histórias de Humboldt e Aimé Bonpland, botânico com quem Humboldt viajou pelas Américas.

Após um tempo, a situação política na França parecia garantir um ambiente seguro para Auguste. Nesse momento, ele retorna e se dedica aos estudos da botânica, área em que se especializa, se tornando professor de botânica do Museu de História Natural de Paris.

Em 1816, aos 37 anos, Auguste chega ao Brasil, integrante de uma missão extraordinária francesa, liderada pelo duque de Luxemburgo, a fim de restabelecer as relações entre França e Portugal, além de resolver a disputa pela Guiana, após as guerras napoleônicas.

Série Naturalistas - Saint-Hilaire
Nessa ocasião, Auguste foi enviado como naturalista e a coleta e a análise de espécimes vegetais eram sua responsabilidade, tendo como objetivo enriquecer o herbário do Museu em que trabalhava. Durante sua estadia no país, Saint-Hilaire visitou Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. O que lhe proporcionou a coleta de 30 mil amostras de animais, minerais e plantas! Todos os itens, hoje se encontram no Museu de História Natural e na Universidade de Montpellier e de Clermont-Ferrand, na França.

Mas, com seu olhar atento e curioso, Saint-Hilaire não escreveu apenas sobre suas coletas em seus diários. Ele descreveu, ainda, sobre a cultura dos povos que aqui viviam, abordando sua língua e hábito, como ao falar sobre o uso de plantas, no âmbito medicinal e nutricional. Além disso, Auguste pôde perceber o início de uma questão séria e bastante atual vivida pelo Brasil: a destruição das paisagens naturais. Ainda no século XIX, Auguste percebeu a gravidade da perda de mata ciliar e fez críticas às queimadas para dar lugar ao cultivo de milho.

"Árvores gigantescas, incendiadas pelo pé, tombavam com fragor, quebrando outras, ainda não atingidas pelo fogo. Depois, sobre o chão em cinzas onde fora a mata virgem, os destroços dos galhos e dos troncos reduzidos a carvão. E tudo isso o sertanejo faz para colher alguns alqueires de milho, arriscando-se pela falta de precaução, a perder uma floresta, como se sem floresta fosse possível haver cultura. A gente simples, deslumbrada com a natureza e crente de nunca lhes faltar as suas dádivas, destroi a floresta como desperdiçavam o ouro extraído das minas."
- Fragmento extraído de "August de Saint'Hilaire"
Série Naturalistas - Saint-Hilaire

No Rio Grande do Sul, Auguste andou mais de 2.000Km, guiado por militares e empregados. Em sua viagem, descreveu aspectos naturais, demográficos e econômicos. Hoje, estes documentos servem até mesmo como fonte de estudos sobre a população de estados brasileiros.

"Após o chá, estive herborizando num mato pantanoso, que cresce perto da estância. As árvores que o compões são muito grandes, desprovidas de folhagem, sem brotos, ramos tortuosos e estendidos. Sob elas, pequenos arbustos com folhas e, aos seus pés, crescia uma erva que apresentava no momento bela coloração verde. Esse bosque lembra-me os de meu país, ao começo da primavera. Uma cerastium, aqui muito vulgar, parecida com a estalária francesa comum, auxiliou, ainda, a ilusão".
- Viagem ao Rio Grande do Sul (p. 108), de Auguste de Saint-Hilaire citado por Estela Galmarino, em "Viagem de Auguste de Saint-Hilaire ao Rio Grande do Sul (1820-1821): O que torna legítima a apreensão de um monumento enquanto documento", 2008.

Série Naturalistas - Saint-Hilaire
"TORRES, 6 de junho. "(...) exigi de meu guia a permanência aqui, por um dia. Aproveitei para pôr em ordem minhas coleções e passear pelos montes denominados Torres. Tendo já descrito uma parte que fica ao norte, vou concluí-la. É alongado, desigual e quase totalmente coberto de relva; o avanço que faz para o mar é arredondado como uma torre; oferece às ondas uma muralha de rochedos cortados a pique e termina por um terraço onde vegeta uma erva rasteira. Pelos flancos do monte crescem, em alguns lugares, duas espécies de cactus, uma grande eryngium, bromeliáceas e arbustos, entre os quais reconheci, com surpresa, a mirtácea denominada pitanga (...)".
- Viagem do Rio Grande do Sul, Auguste de Saint-Hilaire (p. 13), citado por Estela Galmarino, em "Viagem de Auguste de Saint-Hilaire ao RIo Grande do Sul (1820-1821): O que torna legítima a apreensão de um monumento enquanto documento", 2008.

Entretanto, em 1822, Saint-Hilaire sofre envenenamento por mel de vespa, capaz de comprometer o sistema nervoso. Assim, na intenção de se tratar, Auguste retorna para a França, onde começa a escrever e a publicar suas obras. Auguste, ainda, participou de diversas associações científicas, tendo sido membro da Academia de Ciências da França, da Sociedade Lineana (Londres) e, até mesmo, da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro. Em 1853, com 74 anos, Auguste de Saint-Hilaire faleceu.

E assim, Saint-Hilaire conquistou seu lugar na história, influenciando diversos estudiosos, como os botânicos de Sorbone, os quais utilizam suas obras para estudo até os dias atuais.



                                                                                                                               Texto de Isabella Azevedo

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Referências:

> August de Saint'Hilaire. Disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/biografia/august-de-saint-hilaire.htm>. Acesso em: abril de 2021.

> GALMARINO, EMW. Viagem de Auguste de Saint-Hilaire ao RIo Grande do Sul (1820-1821): O que torna legítima a apreensão de um monumento enquanto documento, 2008. Disponível em: <https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/16064/000692725.pdf>. Acesso em: abril de 2021.

> MAPA. Augustin César Prouvençal de Saint-Hilaire, Auguste de Saint-Hilaire. Disponível em: <http://mapa.an.gov.br/index.php/publicacoes/70-assuntos/producao/publicacoes-2/biografias/399-augustin-cesar-prouvencal-de-saint-hilaire-auguste-de-saint-hilaire>. Acesso em: abril de 2021.

> Serviço de Cooperação e Ação Cultural da Embaixada da Frabça em Belo Horizonte. QUEM FOI AUGUSTE DE SAINT-HILAIRE?. 2016. Disponível em: <https://scacbh.wordpress.com/2016/09/22/quem-foi-auguste-de-saint-hilaire/>. Acesso em: abril de 2021.


Créditos das figuras:

Figura 1
> "File:JBRJ Busto de Auguste de Saint-Hilaire.jpg" by Halley Pacheco de Oliveira is licensed under CC BY-SA 3.0

Figura 2
"Voyage d´Auguste Saint-Hilaire de 1816 á 1821" is licensed under CC BY 4.0

Figura 3
> "Mapa da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul em 1852, por Hermann Rudolf Wendroth" by tetraktys Domínio Público

Figura 4
> "As "torres" da Praia da Guarita, um dos recantos mais característicos" by tetraktys CC BY 3.0

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