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Série Naturalistas: Maximilian Wied-Neuwied
Maximilian Wied-Neuwied       Postado dia 27/05/2021Naturalista alemão. Quando jovem, Maximilian se alistou no exército e participou de duas importantes guerras. Mas, não o bastante, enquanto naturalista ele publicou uma obra incrível sobre o Brasil, recebendo elogios até de Alexander von Humboldt.









Muitos dos naturalistas expostos aqui levaram vidas repletas de aventuras... mas um príncipe que contribuiu com a derrota de Napoleão Bonaparte já é demais, né?!
Série Naturalistas: Maximilian Wied-Neuwied
O naturalista dessa semana, Maximilian Phiplipp Wied-Neuwied, nasceu em Neuwied, principado pertencente à Alemanha, em 1782. Mesmo nascendo em uma das famílias reinantes mais tradicionais da Alemanha, do tipo que se dedicava às famosas batalhas da época, Maximilian guardava um apreço pelas ciências naturais desde a adolescência. Apesar de seu interesse, Wied-Neuwied seguiu os passos da família e logo se alistou, passando a fazer parte do exército prussiano, que constantemente guerreava contra a França.

Inclusive, foram duas dessas guerras que contaram com a participação do nosso naturalista! Na batalha de Auerstedt, em 1806, Maximilian chegou até mesmo a se tornar prisioneiro… na mesma época, viu seu exército perder a guerra contra a França.

Após ser liberto e voltar a seu país, Maximilian decidiu ficar um período afastado da vida militar e iniciou uma viagem pela Itália, com seu irmão Karl. E, claro, enquanto se admirava com as maravilhas das paisagens por onde passava, Wied-Neuwied já mostrava sua ""veia naturalística"" e aproveitava para tomar anotações de tudo! Nessa viagem, o que mais lhe chamou atenção foram os povos com que teve contato, tendo escrito e representado seus mais diversos costumes.

Como um bom naturalista, Maximilian também dedicava tempo fazendo algo importantíssimo: lendo! Durante a viagem, ele leu diversas obras sobre a América do Sul, tendo contato com cientistas famosíssimos como Georges Cuvier! A partir desses estudos, Maximilian foi se inspirando e seu interesse por conhecer a América do Sul, só crescia...

Poucos anos depois, Wied-Neuwied voltou a se alistar, mas dessa vez, foi para ver seu exército triunfar! Em 1812, aos 30 anos, Maximilian participou da Sétima Coligação, responsável por derrotar Napoleão Bonaparte, em 1814! E, o que torna essa parte da vida de Maximilian ainda mais interessante é que, mesmo durante a Guerra, ele sempre se dedicou às atividades de observação. Nessa época, porém, ele se limitava a desenhar a vida dos soldados. Com o fim da Guerra em que seu exército saiu vitorioso, Maximilian foi retribuído, sendo então condecorado com a Cruz de Ferro!

Série Naturalistas: Maximilian Wied-Neuwied
Mas, em meio a uma guerra e outra, Maximilian não fez apenas viagens a lugares paradisíacos. Em 1811, ele se matriculou no curso de Ciências, na Universidade de Gottingen, a ilustre instituição que formou o próprio Alexander von Humboldt !

Lá, Maximilian teve contato com muitos outros nobres, todos influenciados pelas ideias Iluministas, como afirma Pierre Serna, citado por Igor Silva:

“Os homens do Iluminismo deixaram de ver o nobre como um ser biologicamente superior, socialmente privilegiado pelo berço, publicamente protegido pelo simples fato de pertencer a uma estirpe de ascendentes mais ou menos prestigiosos”.

E, assim, em busca de uma atividade relevante, que fossem além do seu próprio nascimento, Maximilian começa a planejar sua vinda para o Brasil, onde teria uma importante missão: fazer o máximo de observações que conseguisse, sobre os povos e os recursos naturais que aparecessem em seu caminho.

Foi então que Maximilian buscou financiamento para sua expedição, mas teve sua solicitação recusada. Todavia, como já é de se esperar, vindo de uma família nobre, o dinheiro não era problema para Wied-Neuwied. Então, sua família arcou com sua viagem, mas com um valor que não lhe permitia muitas regalias. Ainda assim, era o suficiente para enviá-lo com mais dois acompanhantes, funcionários do palácio em que morava: David Dreidoppel, encarregado pela caça, e Christian Simonis, o jardineiro.

Apesar de não contar com dinheiro em abundância para sua viagem, algo que não faltava para Maximilian eram boas conexões! Dentre elas estavam o naturalista e cônsul-geral da Rússia: Georg von Langsdorff !

Série Naturalistas: Maximilian Wied-Neuwied

Figura 3. "Quack" atirando em uma grande borboleta

Assim, Wied-Neuwied já chegou ao Brasil (1815) sendo recebido por Friedrich Sellow e Georg Wilhelm Freyriss, naturalistas apresentados à Maximilian pelo cônsul da Rússia. Ambos também se encarregaram de acompanhar e auxiliar Maximilian durante a expedição. O príncipe também contou com a ajuda de outras pessoas que lhe forneceram passaportes e cartas de recomendação a serem apresentadas às autoridades locais. Com isso, Maximilian podia usufruir de outros privilégios como abrigos e materiais, ao longo de sua trajetória.

Durante sua viagem, Maximilian se dedicou sobretudo ao estudo da região de Mata Atlântica, onde coletou espécimes da fauna e flora da região, tendo também se dedicado a uma atividade que já era de seu costume: observar a vida e os hábitos das pessoas. Nesse caso, ele observou os costumes de diversos povos indígenas da região, como o Puri e o Botocudo. Esses povos não só tiveram um importante papel no estudo do naturalista sobre os povos que habitavam o Brasil, como também auxiliaram Maximilian e sua equipe a andar pela mata densa e a se alimentar, por meio das habilidades de caça.
Série Naturalistas: Maximilian Wied-Neuwied

Essa expedição, que passou pelo Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia, durou dois anos, tendo chegado ao fim em 1817. Mesmo que breve, o esforço de Maximilian para relatar tudo o que via foi tão grande que o permitiu publicar a obra "Reise nach Brasilien in den Jahren 1815 bis 1817", segundo Igor Silva. Em português, a obra é conhecida apenas como "Viagem ao Brasil" e rendeu 2 volumes (publicados em 1820 e 1821, respectivamente), os quais foram rapidamente traduzidos para diferentes línguas e chegaram nas mãos das mais diversas pessoas, desde leigos, imperadores e reis, até chegar a quem Maximilian mais buscava impressionar adotando parâmetros que foram seguidos à risca: a comunidade científica.

E, como se não bastasse derrotar Napoleão, Maximilian ainda teve o prazer de receber um elogio do próprio Alexander von Humboldt , uma verdadeira celebridade quando se fala em naturalistas! Segundo a Carta ao barão de Altentein, citada por Igor Silva, Humboldt disse:

"Serei feliz de oferecer ao Sr. o Príncipe de Neuwied, e ao editor de sua importante obra, todos os pequenos serviços que estou em condições de oferecer. [...] ele [Maximiliano de Wied-Neuwied] me encantou pela sua modéstia, a variedade de seus conhecimentos e seu zelo corajoso sem o qual não se pode executar uma viagem distante e penosa."

Mas, nada é perfeito e, assim, obviamente houveram críticas ao trabalho realizado pelo príncipe que acabara de se revelar um grande naturalista. Dentre os críticos, Auguste de Saint-Hilaire , que ficou aproximadamente 6 anos no Brasil - tendo o deixado em 1822 - apontou que a obra de Weid-Neuwied apresentava alguns equívocos, principalmente quando ele falava da flora e da fauna da região.

Série Naturalistas: Maximilian Wied-Neuwied

Figura 5. Vista da missão de São Fidélis

Aceitando as críticas construtivas do colega, Maximilian fez todas as correções necessárias e editou sua obra, a qual recebeu o título: "Acréscimos, correções e notas à descrição da minha viagem ao Leste do Brasil", tendo sido publicada em 1850. Mas, o naturalista não deixou o crítico sair ileso... no prólogo da obra, Maximilian escreveu:

"[...] A publicação algo apressada da referida descrição de viagem teve como consequência alguns enganos na determinação dos espécimes histórico naturais, além de que um doutor viajante francês se externara muitas vezes sobre esse trabalho em tom de censura, dando margem a que o leitor possa suspeitar de que tenha havido superficialidade e falha de observação ou de que o autor tenha sido menos consciencioso em registrá-las. [...] Parte daquelas criticas pode ser imediatamente destruída se estiver em mente que o referido cientista francês teve sob os olhos uma tradução francesa da referida obra, tradução sob muitos pontos de vista incorreta [...]."
- Maximilian Wied-Neuwied, citado por Igor Silva
Série Naturalistas - Maximilian Wied-Neuwied
Pois é... apesar da obra ter sido rapidamente traduzida, esse foi um problema bastante relatado: as traduções apresentaram muitas falhas e modificações. E esses fatores não se restringiram ao texto... até mesmo as gravuras tiveram seu contexto alterado em algumas traduções.

A história de Maximilian se encerra em 1867, mas nem isso e nem as críticas diminuíram o impacto da obra do naturalista! Até hoje, ela é conhecida como a primeira a relatar os costumes dos povos Botocudos, conhecidos pelo uso de botoques nos lábios e orelhas, segundo a Equipe Brasiliana Iconográfica.

Esse povo indígena, na época, era bastante temido devido a boatos que circulavam sobre a realização de antropofagia (~ canibalismo). O medo pelos povos deu lugar à violência e, no século XX, grande parte dos Botocudos já havia se extinguido. Apesar dos boatos de antropofagia e de violência desse povo, nos relatos de Wied-Neuwied nada disso foi observado, o que contribuiu para uma pequena mudança de opinião sobre os boatos nunca comprovados.









                                                                                                                             Texto de Isabella Azevedo

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Referências:

> SILVA, Igor. "VIAGEM AO BRASIL: produção e circulação entre o público europeu do século XIX". Disponível em: <https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaclio/article/viewFile/24485/19786>. Acesso em: maio de 2021.

> Equipe Brasiliana Iconográfica. "Botocudos: de Wied-Neuwied à tragédia no Vale do Rio Doce". Disponível em: <https://www.brasilianaiconografica.art.br/artigos/20219/botocudos-de-wied-neuwied-a-tragedia-no-vale-do-rio-doce>. Acesso em: maio de 2021.


Crédito das Figuras:

Figura 1.
> "Maximilian zu Wied-Neuwied, German ethnographer" by Heinrich Meyer under Public Domain

Figura 2.
> "Aula am Wilhelmsplatz (assembly hall of the University of Göttingen) in Göttingen, Germany" by Julian Herzog (Website) under Creative Commons Attribution 4.0

Figura 3.
> "Quäck schießt den großen Schmetterling" by Maximilian zu Wied-Neuwied under Public Domain

Figura 4.
> "America, South America by Maximilian, Prince of Wied-Neuwied. Trip to Brazil in 1815" by Wilfredor under Creative Commons Zero, Public Domain Dedication

Figura 5.
> "Maximilian zu Wied-Neuwied - Vista da missão de São Fidélis" by Creator:Maximilian zu Wied-Neuwied under Public Domain

Figura 6.
> "Memorial to Prince Maximilian of Wied-Neuwied in Mount Vernon Gardens, Omaha, Nebraska, United States" by Ulrich Schmotz under Attribution

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